Pubicado em: qui, maio 19th, 2016

Anatomia Política – Maio de 2016

Dejanir Coluna site

Os brasileiros assistiram de camarote a maior encenação teatral no Brasil dos últimos tempos – a votação do impeachment no congresso nacional (Câmara e Senado). O pior é que muitos aplaudiram, teleguiados pela mídia de massa. Entre as cenas mais bizarras do episódio macabro da história de nossa democracia, está a figura do deputado de Rondônia Lindomar Garçom. Foi trágico e ao mesmo tempo cômico. Durante todo o tempo da votação na câmara foi possível ver a cara de suricato do Garçom procurando as lentes das câmeras. Foi motivo de chacota no Brasil e no exterior. Um mico em cadeia mundial.

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Os rumos da disputa para a prefeitura de Porto Velho ainda é uma incógnita até para os mais experientes analistas. Quem liderava as pesquisas no final do ano passado era a Mariana Carvalho. Mas ela diz que não será candidata. Segundo ela própria, estaria morando em São Paulo e ocupada com os estudos. Mesmo dizendo que está fora do páreo, a jovem deputada está “apanhando” nas redes sociais. Os prefeitos da região querem saber onde estão as emendas de recursos que ela prometeu.

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Outro “prefeitável” de Porto Velho que está “apanhando” é o deputado Ribamar Araújo. Ele se aproveitou da “janela” e trocou o PT pelo PR. Acontece que sua base eleitoral é (era) o Partido dos Trabalhadores, e a “petezada” não aceita traidores e pelegos. Esses são os adjetivos atribuídos a ele pelos seus ex-companheiros.  Ele terá que formar outra base se quiser permanecer com mandato na política. Os vereadores Wildes e Bengala, que seguiram o deputado, podem não se reeleger.

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Em Ariquemes a disputa maior nesse período de pré-campanha é nos bastidores. No PMDB, com a chegada de Tiziu Jidalias, as cartas foram reembaralhadas. O Delegado Thiago Flores seria o candidato mais forte do partido, mas Tiziu está bem articulado e tem o apoio do Deputado Adelino Follador (DEM). Ainda existe uma corrente do PMDB que defende a união do partido com o atual prefeito, Lourival Amorim. Do outro lado, livre dessa queda de braço, está a ex-prefeita Daniela Amorim como principal adversária de oposição.

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Em Ji-Paraná a disputa ficará entre o PDT, PMDB e PSDB. A julgar pelo grupo, o PDT de Marcito Pinto deve sair mais forte para a disputa. Ele conta com a força dos Gurgacz e do PSB de Jesualdo Pires. A julgar pela popularidade, qualquer um dos candidatos pode ser eleito: Solange Pereira, Alexandre do Hotel, Marcito Pinto ou até mesmo o recém chegado Laerte Gomes, deputado e ex-prefeito de Alvorada.

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Em Vilhena, a chegada do Japonês da Granja como a alternativa que faltava para o grupo que se opões aos Donadon causou alvoroço. O produtor de ovos Eduardo da Granja surpreendeu no momento que colocou seu nome a apreciação popular, no início do mês de maio. Ele é filiado ao PV e tem o apoio do Deputado Luizinho Goebel. Em torno de sua pré-candidatura já existem cerca de 15 partidos aliados.

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O PMDB nacional vai apanhar feito burro de carroça nos próximos meses. Mas em Rondônia a situação é diferente. Com a habilidade política do Senador Valdir Raupp e seus companheiros Dr. Lenzi e Tomaz Correia, o partido aproveitou a “janela partidária” do mês de março e multiplicou forças. Trouxe para o partido várias lideranças políticas de peso no Estado. Entre eles o Presidente da Assembleia legislativa (ALE), Maurão de Carvalho, os deputados Lebrão e Glaucione, os prefeitos Lebrinha e Alex Testone, dentre outros nomes fortes.

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Por que sou contra o impeachment?

Muitos me perguntam o porquê de eu defender o governo Dilma nas redes sociais (eles entendem que, por eu ser um profissional dos bastidores da política, deveria ficar neutro e “puxar o saco” de todos). Eu respondo o seguinte. “Não sou pelego e não serei covarde nesse momento em que a nossa democracia mais precisa. Consigo ver além do que a grande mídia se interessa em mostrar e sei que a história vai me dar razão.

Não quero que, no futuro, quando meus netos lerem esse capítulo negro de nossa história e tomarem conhecimento do grande equívoco cometido por nossa justiça, pelos representantes políticos e pela mídia, me vejam como um traidor da pátria, um pelego. Tenho, como profissional da comunicação e da política, a obrigação de entender o momento e me posicionar com ética e sabedoria. Considero esse impeachment um golpe contra a democracia!

Porém, sou um profissional com ética e compromisso com meus clientes. Consigo separar a minha ideologia política do meu trabalho. Oriento com facilidade e lealdade qualquer político que me contrate, independentemente de partido. Isso eu sempre fiz, inclusive nesse momento turbulento. Não há conflitos de identidade – quando sou profissional lanço mão das técnicas, das ferramentas, da verdade do cliente e da minha ética; enquanto cidadão, não abro mão de minhas verdades, meus valores e minha ideologia.

Dejanir Haverroth

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