Caso Banco Master ganha novos capítulos e reacende debate sobre reportagens de Malu Gaspar

Novas informações obtidas a partir das investigações da Polícia Federal reacenderam, em julho de 2026, o debate em torno das reportagens da jornalista Malu Gaspar sobre o Banco Master e revelaram uma série de conversas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda.
As mensagens, extraídas de aparelhos apreendidos pela Polícia Federal, são de março e abril de 2025, período em que Malu Gaspar publicava reportagens sobre a situação financeira do Banco Master e as negociações envolvendo a instituição e o Banco de Brasília (BRB). O conteúdo veio a público somente em julho deste ano.
Tentativa de levantar informações sobre a jornalista
Segundo as mensagens divulgadas, Vorcaro demonstrou incômodo com as reportagens e discutiu com Miranda maneiras de “frear” o trabalho da jornalista.
Em uma das conversas, os dois chegaram a discutir a possibilidade de levantar informações pessoais sobre Malu Gaspar que pudessem ser utilizadas para prejudicar sua imagem. Miranda teria informado a Vorcaro que procurava dados sobre a jornalista, mas que não havia encontrado informações que pudessem comprometê-la.
As conversas também indicam que, diante da dificuldade de encontrar algo contra a jornalista, surgiu a ideia de tentar contratá-la.
Proposta milionária
De acordo com as mensagens obtidas pela PF e divulgadas pela imprensa, Vorcaro teria sugerido uma proposta considerada “milionária” para que Malu deixasse de produzir reportagens que incomodavam o grupo.
Segundo as informações divulgadas, a proposta teria incluído R$ 1,5 milhão em luvas e salário mensal de R$ 120 mil. A jornalista chegou a ser procurada, mas a iniciativa não conseguiu interromper sua cobertura sobre o Banco Master.
As próprias mensagens indicariam que, após a abordagem, Malu e outro jornalista citado nas conversas teriam intensificado a cobertura sobre o banco.
PF investiga atuação de publicitário
O episódio ganhou novo peso em julho de 2026. No dia 9 daquele mês, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, tendo Thiago Miranda como um dos alvos.
Segundo informações divulgadas sobre a operação, a investigação apura a obtenção de dados sigilosos de jornalistas e de outras pessoas consideradas obstáculos pelo grupo investigado. A decisão judicial que autorizou a operação apontou a existência de indícios considerados graves na atuação dos investigados.
Entidades ligadas ao jornalismo também cobraram investigação sobre o acesso a informações pessoais da jornalista e classificaram o episódio como uma ameaça à liberdade de imprensa.
E Alexandre de Moraes?
O nome do ministro Alexandre de Moraes também aparece no contexto mais amplo das controvérsias envolvendo o Banco Master, especialmente por causa de reportagens de Malu Gaspar sobre encontros do ministro com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e sobre o contrato entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa.
Moraes negou ter pressionado o Banco Central ou tratado da operação envolvendo o Banco Master. Segundo o ministro, os encontros com Galípolo tiveram como assunto a aplicação da Lei Magnitsky.
É importante destacar que não há comprovação de que Malu Gaspar tenha agido por motivação pessoal contra Alexandre de Moraes, como sugere o título original da matéria que circulou na internet. A atuação da jornalista deve ser analisada dentro de seu trabalho de apuração e publicação de reportagens sobre o caso.
Também circulou nas redes sociais um suposto diálogo atribuído a Vorcaro e Moraes, segundo o qual o ministro teria pedido para interromper investigações sobre o Banco Master. Essa conversa foi considerada falsa em checagem publicada pelo Aos Fatos e não foi divulgada por Malu Gaspar nem por veículos jornalísticos confiáveis.
Um caso que continua sob investigação
O caso Banco Master reúne investigações financeiras, disputas políticas, atuação de autoridades e questionamentos sobre a relação entre empresários e pessoas próximas ao poder.
As novas informações sobre a tentativa de levantar dados pessoais de uma jornalista acrescentaram outro elemento à investigação: a forma como pessoas ligadas ao banco teriam reagido às reportagens que expunham problemas e suspeitas envolvendo a instituição.
Os fatos revelados pela Polícia Federal reforçam a importância de separar documentos e mensagens apreendidas, alegações dos investigados, informações jornalísticas e fatos já comprovados oficialmente.
O caso permanece em investigação e novos desdobramentos podem surgir a partir da análise do material apreendido pela Polícia Federal.
Por: Revista Enquete



