Crise em Manaus: alvo de pedido de inquérito, Pazuello ficará no AM ‘o tempo que for necessário’, diz ministério

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Ministro da Saúde chegou ao estado no sábado, junto com carregamento de vacina de Oxford. No mesmo dia, PGR pediu abertura de inquérito para investigar conduta dele quando houve falta de oxigênio na capital amazonense.

Por G1 24/01/2021 12h32  Atualizado há uma hora

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou na noite deste sábado (23) a Manaus e, de acordo com a assessoria da pasta, ficará no estado do Amazonas pelo “tempo que for necessário”. No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República pediu a abertura de um inquérito para investigar a conduta do ministro na crise da pandemia de Covid-19 no estado.

Pazuello desembarcou junto com 132,5 mil doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. As doses fazem parte do carregamento de 2 milhões que o Brasil recebeu da Índia na sexta-feira (22).

Manaus tem vivido dias de caos na saúde pública em decorrência da explosão no número de casos de Covid-19. Na semana passada, chegou a faltar oxigênio nas unidades de saúde, levando à morte pacientes que necessitavam de tratamento hospitalar para a doença.

De acordo com o ministério da Saúde, somando todas as doses que vão ser enviadas ao Amazonas até este domingo (24), o estado terá recebido 458,5 mil doses de vacina. A conta inclui também a vacina CoronaVac.

A estimativa do governo do Amazonas é imunizar 1,5 milhão de pessoas até o fim do primeiro trimestre. O estado tem população de 4,2 milhões.

O Ministério da Saúde decidiu priorizar o Amazonas na distribuição da vacina. O estado foi o que mais recebeu doses na proporção de sua população.

Nesta primeira fase, devem ser imunizados profissionais de saúde e idosos acima de 75 anos.

Abertura de inquérito

Procurada pela TV Globo, a assessoria do Ministério do Saúde disse que aguarda notificação para se manifestar sobre o pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).

O procurador-geral, Augusto Aras, tomou a decisão após analisar representação do partido Cidadania que aponta suposta omissão do ministro e de seus auxiliares, além de informações preliminares prestadas por Pazuello sobre a crise.

Para o procurador-geral da República, diante dos fatos, é preciso apurar formalmente a conduta do ministro.

O PGR pediu ao STF que Pazuello preste depoimento à Polícia Federal como uma das primeiras medidas na apuração.

Em relação às prioridades do ministério em meio à crise, o PGR menciona que a pasta informou ter distribuído 120 mil unidades de Hidroxicloroquina como medicamento para tratamento da Covid-19 no dia 14 de janeiro, às vésperas do colapso por falta de oxigênio. Pesquisas científicas apontam que o remédio é ineficaz no combate à Covid-19.

“Considerando que a possível intempestividade nas ações do representado [Pazuello], o qual tinha dever legal e possibilidade de agir para mitigar os resultados, pode caracterizar omissão passível de responsabilização cível, administrativa e/ou criminal, mostra-se necessário o aprofundamento das investigações a fim de se obter elementos informativos robustos para a deflagração de eventual ação judicial”, afirma o procurador-geral.

O pedido da PGR também leva em consideração o fato de que um relatório aponta que o Ministério da Saúde foi informado no dia 8 de janeiro sobre a iminente falta de oxigênio pela empresa White Martins, fornecedora do produto. O Ministério da Saúde iniciou a entrega de oxigênio apenas em 12 de janeiro, segundo as informações prestadas.

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