“Doe vida, doe órgãos”- Com mais de 40 mil pessoas na fila de doação, famílias ainda impedem doação de órgãos após morte cerebral.

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O Brasil registra cerca de 45 mil pessoas na fila de doações de órgãos, mesmo estando entre os 25 países com maior número de transplantes por milhão de habitantes, a realidade para mais de 40 mil pessoas e seus familiares é extremamente angustiante.
O cenário poderia ser mais animador, porém, a legislação vigente no país sobre a captação de órgãos e tecidos é arcaica, passando a família do possível doador a responsabilidade de permitir ou não a doação, em cerca de 43% dos casos onde existe a possibilidade de ser realizada a captação de órgãos, existe a recusa.
Na legislação atual, mesmo que se deixe por escrito a vontade de ser doador uma resposta negativa de familiares próximos invalida esse desejo, desta forma, pelo menos oito pessoas deixam de receber o transplante.
Uma pessoa pode chegar a ficar 5 anos esperando por um transplante, muitos não resistem ao tempo de espera e acabam perdendo a vida. Foi o que houve com o jovem Jonathan, vítima de Fibrose Cística. Ele chegou a conseguir um transplante de pulmão em 2017, no início deste ano sofreu uma rejeição severa e precisou voltar novamente para fila de transplantes, mesmo estando em prioridade, não suportou o tempo de espera e veio a falecer.
Essa morte levou a vilhenense Emmanuele Machado, também portadora de Fibrose Cística, a se envolver mais fortemente com o Projeto Azitro, que busca através de materiais de publicidade  em mídias sociais, levar informação e conscientizar as pessoas sobre a importância de dizer “sim” a doação de órgãos.
“Batemos na tecla sobre a conscientização para que as pessoas não precisem passar pelo que nós passamos, ninguém precisa ter um amigo, um amo, um parente, se tornando mais um número nessas pesquisas. Já perdi outros amigos para essa luta, é cansativo passar pelo luto com a frequência que passamos. A pandemia veio para dificultar ainda mais, o número de transplantes caíram, as pessoas estão deixando de doar. Um doador pode salvar até oito vidas e para fazer isso é simples, basta comunicar a família o desejo de ser um doador. A doação só acontece com o consentimento deles”, disse a jovem.
Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em 2016, 2013 pessoas que estavam na fila esperando uma doação morreram,  82 crianças estão entre as vítimas,  no mesmo período das 5.939  famílias de possíveis doadores, 2.571 (43%) disseram não a equipe de captação de órgãos.
Rondônia é o segundo Estado com maior número de rejeições à doação, 76% das famílias se posicionaram contrários a doação, perdendo apenas para o Acre onde 81% das possíveis doações não aconteceram por conta da negativa de familiares.
Segundo especialistas a desinformação e principalmente a religiosidade são os principais motivos para a negativa de familiares. “Mesmo provando aos familiares que não há mais atividade cerebral, os familiares se apegam a um possível milagre, aguardando que através de uma ação divina a pessoa irá acordar, isso ocorre mesmo entre pessoas que até então não haviam demonstrado nenhum tipo de ligação religiosa”, relatou a gerente médica do Hospital CopaStar do Rio de Janeiro, Jaqueline Miranda.
Tramita no Senado um Projeto de Lei de autoria do Major Olimpo, que visa mudar a legislação sobre a necessidade do consentimento da família. De acordo com a proposta do Senador, toda pessoa maior de 16 anos que não se declarar contrário a doação de órgãos, se tornaria um doador até que se prove o contrário.
No Congresso Nacional também tramitam dois projetos voltados para a flexibilização da doação de órgãos, sendo um do ex-deputado José Pinotti, no qual um documento assinado e reconhecido em cartório, no qual a pessoa registra sua vontade de ser doador, tornaria o suficiente, sem a necessidade de consentimento da família.
Outro Projeto de Lei, da deputada Manuela D’Ávila, no mesmo sentido do Senador Major Olimpo, torna o cidadão presumidamente um doador. Ou seja, se em vida a pessoa não se manifestar contra a doação de órgãos, se torna presumidamente um doador.
A luta daqueles que se encontram na fila de espera por um transplante é que seja feita a mudança na legislação com urgência, porém, o tramite dentro do Senado e do Congresso tem sido lento, e infelizmente quem se encontra na espera por um órgão não tem esse tempo para aguardar.
Fonte: Portal Vilhena



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