Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, é preso

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Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, foi preso na manhã de hoje em Atibaia, cidade do interior paulista, numa ação conjunta do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e do MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Queiroz foi localizado e preso em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seu filho Flavio. Ontem, Wassef esteve na posse novo ministro das Comunicações, Fabio Faria (PSD), que contou com a presença do presidente.

A prisão é preventiva, ou seja, sem prazo. Policiais também realizaram busca e apreensão no local. Um imóvel ligado a Jair Bolsonaro, no Rio, também foi alvo de busca e apreensão.
O delegado da Polícia Civil de São Paulo Osvaldo Nico Gonçalves, que participou da prisão, disse que o caseiro do local informou que Queiroz estava na casa do advogado há cerca de um ano.

De acordo com o delegado, Queiroz estava sozinho na casa quando os policiais chegaram. “A reação dele [Queiroz] foi tranquila, não esboçou reação. Só falou que estava um pouco doente”, declarou o delegado. Queiroz trata de um câncer. Gonçalves afirmou ainda que foram apreendidos com Queiroz dois celulares, documentos.

Quem é Fabrício Queiroz Queiroz passou a ser investigado em 2018 depois que um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicou movimentação financeira atípica dele, que é amigo do presidente desde 1984. Policial reformado ele, que havia atuado como motorista e assessor do então deputado estadual, movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. O último salário de Queiroz na Alerj fora de R$ 8.517. Ele também recebeu transferências em sua conta de sete servidores que passaram pelo gabinete de Flávio. As movimentações atípicas, que vieram à tona num braço da Operação Lava Jato, levaram à abertura de uma investigação pelo MP do Rio.

Uma das transações envolve um cheque de R$ 24 mil depositado na conta da hoje primeira-dama Michelle Bolsonaro. O presidente se limitou a dizer que o dinheiro era para ele, e não para a primeira-dama, e que se tratava da devolução de um empréstimo de R$ 40 mil que fizera a Queiroz. Alegou não ter documentos para provar o suposto favor. Em entrevista ao SBT em 2019, Queiroz negou ser um “laranja” de Flávio. Segundo ele, parte da movimentação atípica de dinheiro vinha de negócios como a compra e venda de automóveis. “Sou um cara de negócios, eu faço dinheiro… Compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro. Sempre fui assim”, afirmou na ocasião.

Tentativas de barrar a investigação

 Flávio, que sempre negou irregularidades, tentou barrar a investigação, mas foi derrotado, e as apurações foram retomadas por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em abril, em outra derrotada para o senador, o ministro Felix Fischer, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), negou um pedido para que as investigações fossem suspensas. Para os investigadores, o senador é chefe de uma organização criminosa que atuou em seu gabinete na Alerj entre 2007 e 2018, e parte dos recursos movimentados no esquema foi lavada em uma franquia de uma loja de chocolate da qual ele é sócio.

Promotores investigam ainda se a “rachadinha” teria sido usada para financiar uma milícia que era comandada pelo ex-policial Adriano Nóbrega, morto em fevereiro, e apontado pelo MP como chefe da milícia que controla a comunidade do Rio das Pedras, em Jacarepaguá. Raimunda Veras Magalhães e Danielle, respectivamente mãe e ex-mulher de Adriano, eram funcionárias do gabinete. Os salários das duas na Alerj somaram, ao todo, R$ 1.029.042,48, dos quais pelo menos R$ 203.002,57 foram repassados direta ou indiretamente para a conta bancária de Queiroz, segundo o MP.

Além desses valores, R$ 202.184,64 foram sacados em espécie por elas. Segundo o MP, isso viabilizaria a “simples entrega em mãos” de dinheiro para o ex-assessor. Em conversas de WhatsApp acessadas pelos investigadores, Danielle disse que o ex-marido ficava com parte do salário que ela recebia do gabinete. Flávio é investigado sob suspeita de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Não há informações detalhadas sobre os próximos passos nem previsão de conclusão porque os processos correm sob sigilo.

Fonte: uol.com




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