França e Espanha propõem ‘centro fechados’ para imigrantes ilegais que chegarem à Europa

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Após polêmica com navios humanitários que resgatam imigrantes no Mediterrâneo, países europeus planejam criação de centros para que se examine a situação de cada imigrante.

Depois de polêmicas com navios de ONGS que resgatam imigrantes ilegais que tentam chegar à Europa, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, propuseram neste sábado (23) criar “centros fechados” para os migrantes que chegarem à Europa, na véspera de uma minicúpula europeia que se anuncia tensa.

“Uma vez que chegarem a solo europeu, somos a favor da criação de centros fechados, financiados com fundos europeus”, nos quais se possa “examinar rapidamente a situação” dos migrantes e saber quais podem “ter direito a refúgio”, disse Macron durante uma entrevista conjunta com Sánchez em Paris.

Os migrantes que não puderem ter o status de refugiado serão enviados de volta para “seus países de origem” e não “para países de trânsito”, acrescentou Macron.

Esta proposta será apresentada aos demais parceiros europeus no domingo em uma minicúpula em Bruxelas, que se anuncia muito tensa pelas fortes divisões entre os países do bloco sobre a gestão migratória.

“França e Espanha compartilham a mesma estratégia para responder de forma eficaz e humana” ao desafio da imigração, continuou Macron, que disse ter o apoio da chanceler alemã, Angela Merkel, com quem “já abordou esta questão”.

Atualmente, existem poucos desses centros na Europa. Alguns são vistos em Grécia e Itália, gerenciados pela Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), onde se registram as chegadas e identificam possíveis refugiados.

A proposta de França e Espanha prevê uma ação em uma escala maior com centros fechados, geridos por agências europeias, nos países da linha de frente, ou seja, Itália, Grécia e Espanha, onde os migrantes terão que aguardar que seus casos sejam analisados pelas autoridades.

“Apoiamos (…) a proposta que fazemos conjuntamente, França e Espanha, à Itália, para resolver a questão do navio que está agora na costa italiana”, disse Sánchez em referência ao barco “Lifeline” que está parado em águas internacionais com 230 migrantes a bordo, depois que a Itália fechou seus portos.

Sanções em caso de ‘falta de solidariedade’

Macron também ameaçou impor sanções europeias contra os países da União Europeia que se recusarem a acolher os refugiados.

“Sou a favor da imposição de sanções em caso de falta de solidariedade”, assinalou.

“Não podemos ter países que se beneficiem maciçamente da solidariedade da UE e que reivindiquem maciçamente seu egoísmo nacional quando se trata de temas migratórios”, justificou o presidente francês.

“Concordo que a política migratória tenha que ser comum (…) tenha que ser baseada na solidariedade”, declarou Sánchez.

O encontro entre Sánchez e Macron acontece às vésperas de uma minicúpula da União Europeia convocada com urgência para encontrar soluções para a recepção de migrantes e refugiados, uma questão que divide o bloco.

Macron procura, segundo o Eliseu, estabelecer com Espanha e Alemanha uma “abordagem colaborativa” oposta à do grupo Visegrado (Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia), que mantém uma política sem concessões em questões de imigração.

O episódio do navio “Aquarius”, com 630 migrantes a bordo, para o qual a Itália fechou suas portas antes de ser recebido pela Espanha, trouxe à tona a necessidade de encontrar uma resposta europeia comum à questão migratória.

Operação de navios humanitários

Neste sábado, mais de 750 imigrantes em situação irregular foram resgatados em várias operações na costa espanhola, onde o fluxo de chegadas continua após após chegada do “Aquarius”.

O “Aquarius” é um navio franco-alemão que resgata imigrantes no mediterrâneo, que geralmente utilizam embarcações mais rudimentares. Ele é operado conjuntamente pelas ONGs “Médicos Sem Fronteiras” (França) ” e a SOS Mediterrâneo (Alemã).

Além do Aquarius, outros navios estão realizando operações de resgate a partir do norte da África. Neste sábado (23), o navio da ONG alemã Lifeline está com mais de 230 imigrantes a bordo esperando uma solução para a questão após a Itália rejeitar o navio.

Uma cúpula em Bruxelas está prevista para discutir a situação, no entanto, fala-se mais de acordos bilaterais entre países.

Fonte: G1




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