Governo de RO é investigado por suposta fraude no n° de vagas de UTI para não decretar isolamento mais rígido

88

Por Jônatas Boni, G1 RO– Porto Velho 26/01/2021 13h30 

O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) instaurou um inquérito civil para apurar supostas fraudes nos relatórios diários de leitos existentes Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com Covid-19.

Segundo a denúncia, o governo estadual escondeu o real número vagas de UTI para evitar que fosse obrigado a decretar medidas mais rígidas de isolamento social (a chamada Fase 1 do plano estadual, quando só é permitida a abertura de mercados e serviços essenciais). Procurado pelo G1, governo não se manifestou sobre a denúncia até a publicação desse texto.

No documento que o G1 teve acesso, assinado pelo promotor Geraldo Henrique Ramos Guimar, são apontados vários dias com as supostas fraudes no boletim diário de leitos. Segundo o documento, o governo incluiu leitos inativos em relatórios sobre a ocupação de hospitais.

No dia 6 de janeiro de 2021, por exemplo, o MP afirma que o relatório “apontava falsamente a disponibilização de 44 leitos de UTI, com ocupação de de 67,50%”. Dois dias depois, o estado divulgou existir apenas 20 leitos de UTI disponíveis.

“Isso somente ocorreu porque inseriram, indevidamente, 30 leitos de UTI do Cero [em Porto Velho], Hospital de Campanha da Zona Leste, os quais nunca estiveram realmente disponíveis por falta de médicos”, diz o inquérito.

Ainda segundo a promotoria de Justiça, o estado, por exemplo, “de forma maliciosa”, usou os dados inverídicos do dia 6 de janeiro para regredir a capital Porto Velho da Fase 3 para a 2.

“Se utilizassem os dados reais, deveriam ter regredido diretamente para a Fase 1, que é mais restritiva”, afirma a denúncia do MP.

Ainda segundo o inquérito da promotoria, no dia 20 de janeiro, pela noite, o relatório de leitos indicava 14 vagas de UTIs disponíveis (sendo 11 em Porto Velho e 2 em Cacoal).

“Mas daí, passadas apenas poucas horas da divulgação do relatório (já na madrugada do dia 21), inexplicavelmente tínhamos 39 pacientes na fila aguardando leitos de UTI’s”, denuncia o promotor.

O promotor Guimar instaurou inquérito para apurar possíveis crimes de falsidade ideológica e improbidades administrativas cometidas pelo governo de Rondônia.




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *