Mediador analisa até questões emocionais para viabilizar conciliação na Justiça do Trabalho

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Um acordo homologado pelo Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) do Fórum Trabalhista de Rio Branco/AC, na última quarta-feira (24), seria mais um como tantos outros se não fosse a atuação primordial de um servidor na função de mediador.

As partes traziam à mesa uma aparente discussão referente a um vínculo empregatício (processo n.000268-39.2019.5.14.0401), mas que por trás detinha questões emocionais mal resolvidas e que envolviam uma mágoa da autora em face do reclamado por conta de uma postura do réu em relação ao filho dela.

Nesse contexto, coube ao mediador Joaquim Valdeci de Oliveira Neto perceber que a solução para lide ultrapassava a seara das relações trabalhistas e que para chegar a uma conciliação precisaria utilizar algumas técnicas relevantes de mediação.

“Ao perceber o que realmente estava em jogo no processo, o que foi possível por meio do uso da escuta ativa, ferramenta relevante nas mediações e conciliações, utilizou seu discurso para situar as partes quanto ao que de fato as trouxe até a mesa de audiências, permitindo que ambas se ouvissem e se compreendessem. Por meio de outra ferramenta conciliatória denominada teste de realidade, bem como com o uso de muita paciência, conseguiu abrir os olhos da parte autora para o fato de que algumas frustrações que perpassam as experiências da vida merecem ser superadas ao invés de serem âncoras de remorsos que não levam a solução alguma”, explicou a juíza do Trabalho Substituta da 3ª Vara do Trabalho de Rio Branco/AC, Renata Albuquerque Palcoski, que homologou o acordo.

Com essa percepção, e com o apoio dos advogados das partes, a conciliação teve êxito após cerca de uma hora de diálogo, resolvendo, além da lide sociológica e emocional, a questão dos valores pendentes que foram reconhecidos e acordados entre as partes.

“É um excelente exemplo da consolidação do sistema de justiça multiportas implementado na prática, desenvolvendo o surgimento da cultura da solução pacífica dos conflitos. O fato demonstra ainda a importância do empoderamento das partes na construção de suas soluções, com uma participação exemplar dos patronos, que permitiram e auxiliaram essa construção, bem como com o desempenho de um mediador capacitado e preparado para enfrentar situações como essa”, ressaltou a juíza.

De acordo com a magistrada, os Cejusc’s cumprem um papel relevante na concretização da Política Judiciária Nacional de tratamento dos conflitos de interesses, utilizando-se de meios adequados de solução das controvérsias, nos termos da Resolução 125/2010 do CNJ.

Assessoria de Comunicação – Secom/TRT14




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