Um ano após 1º lockdown, mundo ainda tenta controlar a Covid-19

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Fonte: CBN

Em 23 de janeiro de 2020, a cidade chinesa de Wuhan entrava em isolamento total para frear as contaminações pelo coronavírus. Desde então, políticas de lockdown se espalharam por todo o mundo, em diferentes formas de restrição, na tentativa de controlar o avanço da doença.

Às vésperas do ano novo chinês, feriado que movimenta mais de 1 bilhão e 400 mil cidadãos do país asiático, foi decretado o primeiro lockdown do mundo causado pelo coronavírus. O isolamento total ocorreu primeiro em Wuhan, no distrito de Hubei, em 23 de janeiro de 2020. Na mesma cidade, foi identificada pela primeira vez a Sars-Cov-2 em primeiro de dezembro de 2019. A partir do início da quarentena, a cidade ficou lacrada. Foram 76 dias apenas com atividades essenciais e monitoramento da população.

O piloto de aviões Mauro Hart, que perdeu o emprego durante a pandemia e vivia em Wuhan, conseguiu voltar para o Brasil após o envio de um avião do governo brasileiro, no início de fevereiro, e agora mora em Natal. Segundo ele, mesmo sabendo que um vírus estava avançando, o uso de máscara e as medidas de segurança eram ignorados antes do lockdown.

“Alguns dias antes, se falava de um vírus, uma virose forte, mas as pessoas não davam muita importância. Eu via as pessoas nas ruas sem máscaras, vida normal. No dia 23, aconteceu de repente o fechamento da cidade”, contou.

O treinador de futebol Marcelo Vasconcelos, que ficou preso em Wuhan durante o isolamento, já passou por 3 grandes quarentenas desde então. Ele passou por outras cidades chinesas e destacou como as “fake news” contribuíram para o medo e também para a descrença sobre o poder mortal da doença.

“As fake news eram muito zoadas porque os bancos estavam fechados e as pessoas falando que imagens eram recentes com pessoas caindo, morrendo dentro do banco. Tem um vídeo que eu conheço desde 2016, de dois guardas, que um deles cai e os outros vão ajudar. Essa imagem era usada na TV chinesa como comédia. Depois usaram essa mesma imagem como se fosse coronavírus por causa da máscara”, afirmou.

Marcelo acredita que a cultura chinesa de evitar o contato físico possa ter contribuído para o controle da Covid-19. Porém, houve outros fatores, como a tecnologia.

O advogado José Renato Peneluppi Jr, que vive na China há mais de 10 anos, deixou Wuhan horas antes do início do lockdown. Ao retornar, 9 meses depois, viu uma cidade bem diferente.

“Ali deu para sentir a diferença. A sociedade teve uma disrupção tecnológica muito grande. Você nota tecnologia para todos os lados de uma forma mais aguda do que anteriormente. Essa disrupção foi tanto numa tecnologia social quanto a tecno-científica, como equipamento e outras demandas”, explicou.

Desde o primeiro bloqueio total das atividades realizado no mundo, a palavra lockdown passou a fazer parte do vocabulário brasileiro, mesmo que aplicada de forma oficial somente uma vez, no Maranhão, por determinação da Justiça, no mês de maio.

Em outras regiões, governos locais orientaram a população a ficar em casa e restringiram o funcionamento do comércio. No estado de São Paulo, o índice de isolamento chegou no máximo a 59%, nos meses de abril e maio, quando o país vivia o início da pandemia.

Além de Wuhan, que registrou 43 casos entre outubro e dezembro, outras cidades chinesas, países da Europa e algumas regiões dos Estados Unidos também impuseram lockdowns. Em alguns lugares, mais de uma vez.

O bloqueio, a testagem em massa e o monitoramento permitiram a criação de uma logística voltada para a vacinação, que ocorre desde dezembro de forma emergencial. De acordo com o Vaccine Tracker da Bloomberg, 15 milhões de vacinas já foram aplicadas em território chinês desde o mesmo passado.

No início do primeiro lockdown do mundo, a China registrava 25 mortes e mais de mil casos. Hoje, o país tem menos de 100 mil casos e pouco mais de 4 mil e oitocentas mortes. Na mesma época, Brasil não tinha casos ou mortes confirmadas por Covid-19. Agora, são mais de 8 milhões e 600 mil casos e mais de duzentas e catorze mil mortes.




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