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CINEAMAZÔNIA: Filmes rondonienses provocam debate sobre temas urgentes entre estudantes da Escola Bela Vista, em Porto Velho

O cinema também pode ser uma sala de aula.

Além de assistir filmes, os estudantes da Escola Estadual Bela Vista, em Porto Velho, foram convidados a olhar para realidades que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano. Nesta quarta-feira (5), a 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental levou à comunidade escolar produções audiovisuais rondonienses que abordaram temas como exclusão social, violência, identidade cultural, pertencimento, arte e memória.

Ao longo do dia, as sessões reuniram estudantes, realizadores e personagens dos filmes exibidos, reforçando uma das principais propostas do festival: formar público para o cinema ao mesmo tempo em que promove reflexões sobre questões que atravessam a sociedade amazônica.

CINEMA QUE FALA DA VIDA REALA programação da manhã foi marcada pela exibição dos filmes Caçambada Cutuba, de Délcio Teobaldo; Planeta Fome, de Édier William; Vai com Deus, de Neto Cavalcanti; Catador de Sons, de Juraci Júnior; e Ela Mora Logo Ali, de Fabiano Barros e Rafael Rogante.

Os temas apresentados encontraram eco entre os estudantes. Para o aluno Kaique Silva, de 15 anos, os filmes se destacaram justamente por abordarem situações presentes na vida real. “Os assuntos que foram mostrados são coisas que a gente precisa debater. Às vezes são temas difíceis, mas a gente já está grande o suficiente para entender e assumir essa responsabilidade. O filme Planeta Fome me chamou muito a atenção porque mostra uma realidade que acontece de verdade e que muitas vezes as pessoas não enxergam”, afirmou.

Já Maria Vitória, de 16 anos, destacou o impacto de Ela Mora Logo Ali, produção que retrata desafios enfrentados por mulheres e mães brasileiras. “É uma realidade muito presente, não só em Rondônia, mas no Brasil inteiro. Eu não sabia que existiam tantas produções feitas aqui no estado e fiquei muito feliz de descobrir isso. São trabalhos muito bons e que fazem a gente pensar”, disse.

Entre os convidados presentes esteve o jornalista Paulo Andreoli, roteirista, produtor e ator do filme Vai com Deus. A produção foi gravada na comunidade São Sebastião, às margens do Rio Madeira, e nasceu da adaptação de um conto inspirado no imaginário amazônico. Segundo ele, levar o cinema para dentro das escolas também é uma forma de mostrar aos jovens que existe espaço para eles na cultura e no audiovisual. “O CINEAMAZÔNIA mostra para a juventude que existe um caminho dentro da cultura. É uma oportunidade para que eles descubram que podem escrever, produzir, filmar e contar suas próprias histórias. Isso ajuda a construir a continuidade do cinema produzido em Rondônia e na Amazônia”, destacou.

Outro filme que despertou a atenção dos estudantes foi Catador de Sons. O documentário acompanha o músico Bira Lourenço e sua relação com os sons presentes no cotidiano.

Para ele, exibir o trabalho em uma escola amplia ainda mais o sentido da obra. “Estamos falando de um espaço de formação. Mostrar para os estudantes que a música pode nascer dos sons que estão ao nosso redor é uma forma de democratizar o fazer artístico. Isso ajuda a mostrar que a arte está presente em todos os lugares e pode ser acessível para qualquer pessoa”, afirmou.

Durante a tarde, a programação seguiu com as exibições de Quarto Escuro, de Carlos Santana; Através da Sacada, de Ana V. Araújo; e Kika Não Foi Convidada, de Juraci Júnior.

Entre as produções, Quarto Escuro gerou forte impacto entre os estudantes ao abordar a violência sexual contra crianças e adolescentes. A estudante Ellen Nicole, de 16 anos, destacou a importância do tema. “Eu não conhecia o CINEAMAZÔNIA e acho muito importante trazer isso para dentro das escolas. O filme que mais me chamou atenção foi Quarto Escuro, porque mostra uma realidade que muitas crianças e mulheres vivem hoje”, comentou.

Protagonista da obra, Zieli Santos explicou que a produção busca justamente ampliar o debate sobre um tema ainda cercado por silêncio e medo. “Quando fazemos um filme, queremos que ele vá além das gravações. Levar essa história para dentro das escolas é oferecer reflexão, conhecimento e, muitas vezes, acolhimento. Pode ajudar crianças e adolescentes a reconhecerem situações de violência e compreenderem que é possível denunciar e buscar apoio”, afirmou.

FORMAÇÃO DE PÚBLICO E NOVOS OLHARES

Além das exibições, os estudantes participaram da oficina Introdução à Linguagem de Animação – Stop Motion, ministrada pela professora Maria Luzia F. Santos. A atividade apresentou conceitos básicos da produção audiovisual e incentivou os participantes a explorarem a criatividade por meio da animação quadro a quadro. Para o diretor do CINEAMAZÔNIA, José Jurandir da Costa, a combinação entre cinema e educação é um dos pilares do festival. “Nosso objetivo não é apenas exibir filmes. Queremos despertar novos olhares, estimular a reflexão e mostrar aos estudantes que eles também podem produzir suas próprias narrativas. O cinema tem a capacidade de ampliar horizontes, provocar debates e fortalecer a compreensão sobre a realidade em que vivemos”, destacou.

A 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental é realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Cultura (FEDEC), por meio da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL), do Estado de Rondônia. Apoio: Cinemateca Brasileira; Sociedade Amigos da Cinemateca; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); LUCA – Laboratório Universitário de Cinema e Audiovisual; Programa de Pós-Graduação em Comunicação; Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Realização: Acapulco Filmes.

Fonte: assessoria

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